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Volante na Direita ?

 

 Um terço da população do mundo ainda utiliza a direção à direita, a chamada mão inglesa


 Embora a maioria dos países do mundo tenha adotado a direção à direita no fluxo de tráfego, um bom número continua a dirigir pela esquerda, a chamada mão-inglesa. Dos mais de 200 países listados em um estudo de Peter Kincaid, autor do livro “The Rule of the Road: An International Guide to History and Practice”, a maior autoridade sobre o assunto, cerca de 34% da população mundial mantêm a direção à esquerda. A maioria é formada por ex-colônias e ex-protetorados britânicos, mas há os casos curiosos do Japão, Tailândia e Indonésia, que optaram pela mão-inglesa, conservada até hoje, embora nunca tenham estado sob domínio da Grã-Bretanha.

 Os cinco países com as maiores populações que optaram pela direção à direita são a China, Estados Unidos, Brasil, Rússia e Nigéria, enquanto Índia, Indonésia, Paquistão, Japão e Bangladesh são as cinco nações mais populosas que aderiram a mão-inglesa.
 Muitos países europeus só mudaram para a direção à direita depois da década de 1920, como a Itália (1924), Áustria (1921-38),Portugal (1928) a então Checoslováquia (1939), Hungria (1941), Suécia (1967) e Islândia (1968).

 No Canadá, as áreas colonizadas inicialmente pelos franceses o tráfego sempre seguiu pela direita enquanto as ocupadas pelos ingleses adotaram a opção oposta. A divisão se manteve até a década de 1920 quando a Colúmbia Britânica, New Bruswick, Nova Escócia e Ilha Prince Edward mudaram para a direita parase harmonizar com o resto do país e os Estados Unidos.


 Na América Latina, os últimos países a adotarem a direita foram Panamá (1943), Argentina e Uruguai (ambos em 1945). Na Ásia, a mudança de mão no tráfego, da esquerda para a direita, ocorreu principalmente na década de 1940: Filipinas em 1945, China (incluindo Taiwan) e Coréia em 1946, e Birmânia (atual Mianmar) em 1970.
 Nas décadas de 1960 e 1970, foi a vez de as ex-colônias britânicas na África mudarem de mão para facilitar a travessia com os vizinhos de mão direita por influência francesa e, em certos casos, para e se livrarem de resquícios da colonização britânica.
 Enquanto o resto da China segue pela direita, Hong Kong, ex-colônia britânica devolvida aos chineses continua com a mão-inglesa. O mesmo ocorre com Macau, território português até 1999 e hoje pertecente à China.
 COMO COMEÇOU – Por que diversos países usam um lado da estrada ou outro, e como alguns deles trocam de lado? É preciso recorrer à História para entender algo que hoje parece tão corriqueiro.
 Há indícios de que os romanos se deslocavam pela esquerda, mas não foram encontrados até agora documentos sobre as regras para o tráfego.


 No seu livro, Kincaid diz que não encontrou qualquer evidência firme sobre a regra daestrada em qualquer parte das civilizações antigas na Grécia, Assíria ou Roma. “Parece inconcebível que não houvesse uma regra”, diz o autor. Mas o pesquisador Brian Lucas coletou duas provas que sugerem que os romanos dirigiam pela esquerda. Em uma antiga pedreira romana na Inglaterra, sulcos na estrada que liga à pedreira são muito mais profundos em um lado do que no outro. Pode-se presumir que os sulcos mais profundos indicavam o lado da rua usado por carroças que deixavam a pedreira, enquanto o lado com sulcos mais ralos indica carroças vazias que chegavam, o que se deduz que, pelo menos nesse local, os romanos dirigiam pela esquerda. Outraevidência vem de uma moeda romana. Uma imagem em um denário de 50 a.C. a 50 a.D. mostra dois cavaleiros passando em sentido contrário, com ombro direito com ombro direito, ou seja, mantinham-se no lado esquerdo da estrada.

 A primeira decisão documentada sobre a direção do fluxo depessoas e veículos foi da China. Conforme o historiador australiano M. G. Lay, o “Livro dos Ritos” de 1.100 a.C., da dinastia Zhou Ocidental, determina: “O lado direito da estrada é para homens, o lado esquerdo para as mulheres e o centro para as carroças”. Esta regra da dinastia Zhou Ocidental aplicava-se apenas “ás estradas largas oficiais do reinado e estava mais preocupada com o protocolo do que o objetivo de evitar colisões frontais”. Nos três milênios seguintes, concluiu Lay, não houve razões técnicas para a prefêrencia pelo lado esquerdo ou pelo lado direito nas vias.

 


 Na Inglaterra da Idade Média a pessoa mantinha-se à esquerda pela simples razão de que nunca se sabia com quem iria se encontrar na estrada naqueles dias; era preciso se assegurar de que um estranho passasse do lado direito de maneira que se poderia usar a espada no caso  de ele não ser amistoso.
 Na inglaterra também predominava a condução por pessoas sentada na própria carroça. Neste caso, o condutor destro precisa se posicionar no lado direito, se não por segurar o chicote na mão direita, ele chicoteava quem estivesse dentro da carroça e as pessoas que andavam ao lado do veículo. Estando o condutor no lado direito, a carroça tinha que seguir pela esquerda para observar melhor o movimento contrário.
 Na era moderna a primeira instrução documentada sobre mão de tráfego à esquerda na Inglaterra foi para o tráfego na London Brigde em 1756 e, depois, passou a ser regra em todo o Império Britânico.
 Na França e suas colônias, os condutores de carroças pesadas puxadas por seis cavalos cavalgavam o último dos equídeos à esquerda e seguiam pela direita para avaliar melhor o espaço quando se encontravam com carroça em sentido contrário. Essas práticas moldaram as regras regionais da estrada e quando os automóveis entraram em cena, os países já tinham escolhido os lados de direção.


 De acordo com o pesquisador norte-americano Albert Rose,“todasas evidências parecem indicar que o fluxo pela direita predominava nos Estados Unidos na época colonial, desde os primeiros assentamentos”. Quando as carroças passaram ao uso geral, os condutores seguravam rédeas com a mão esquerda e o chicote com a direita, e viajavam pela direita para observar mais atentamente o espaço de passagem entre os veículos. Segundo ele, o primeiro estado a adotar regra para as estradas foi a Pensilvânia em 1792. Em seguida, o estado de Nova York determinou o tráfego pela direita em todas as vias públicas.

 Mas foi Henry Ford quem mais influenciou a opção de condução pela direita ao adotar o volante no lado esquerdo dos automóveis no modelo T em 1908. O veículo tornou-se tão popular que, em 1915, os outros fabricantes de carros seguiram o exemplo da Ford com a posição do motorista no lado esquerdo.
 Na Europa Central, os nazistas acabaram com os “esquerdistas” nas décadas de 1930 e 1940 e, com o florescimento das viagens e do comércio, países de tráfego pela esquerda na América Latina e na África mudaram de lado. Um caso curioso é o de Okinawa, província do Japão que em 1978 fez o contrário, mudando para a direção à esquerda. Talvez para apagar a lembrança da ocupação pós-guerra norte-americana da ilha, os japoneses tomaram essa medida, colocando a ilha em sintonia com o resto do país. É uma forma de mostrar quem é que manda. “A regra da estrada faz parte da identidade nacional”, explica o autor Kincaid.


 EXCEÇÕES – A Convenção das Nações Unidas sobre Tráfego Rodoviário estabelece que “Todo tráfego veicular que segue o mesmo sentido em qualquer estrada deve-se manter no mesmo lado da rua, que deve ser uniforme em cada país para todas as estradas”. Entretanto, muitos países têm algumas exceções isoladas nas quais o tráfego prossegue no lado oposto do resto do país. As exceções, por motivos variados, podem ser encontradas na Itália (em duas pontes em Roma), Inglaterra (uma pequena rua em Londres), Estados Unidos (trecho na entrada de Los Angeles), Canadá (dez quilômetros no sudoeste de Montreal).
 Na travessia de fronteiras entre dois países com direção nos lados opostos, a situação não é tão complicada como parece. Em geral, o motorista ingressa em uma área alfandegária, estaciona o carro para inspeção e, na saída do estacionamento, se certifica se está do lado correto da estrada.
 PEDESTRES – A maioria das pessoas, por ser destra, tem uma tendência natural de se manter à direita. Por isso, seguir pela direita nas ruas é uma prática normal. Quando se diz que a preferência é pela direita, isto significa o fluxo em relação a outras pessoas e não a veículos. Caminhar pela direita em aglomerações é normal nos Estados Unidos e no Canadá, com algumas variações regionais. Na França,o lado direito também é o preferido, mas na Inglaterra parece não ter preferência por um dos lados da calçada. No Japão o lado escolhido pela população é o esquerdo.

 Países dirigindo “à inglesa”

 Ex-colônias britânicas. Austrália, Índia, África do Sul e Nova Zelândia também dirigem pela mão esquerda.

 O Japão foi convencido a dirigir pela esquerda após a visita de um ministro inglês ao país, em 1859.

 A Argentina adotou a mão inglesa até o começo dos anos 40. Mudou para seus carros circularem no resto da América do Sul.

 A Suécia inverteu a mão das ruas, do jeito inglês para o padrão continental, ás cinco horas da tarde de um dia  de semana em 1965, para evitar que motoristas e pedestres distraídos saíssem cedo e esquecessem que os sentidos haviam sido trocados.

 O último país a fazer a mudança da mão inglesa para o padrão mundial foi a Suíça, em 1967.

Saiba mais:


01 - Veja por que eles tem 3 parachoques

02 - Veja mais fotos dos trucks australianos clicando aqui

03 - Veja o Vídeo de como é dirigir na direita


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