Cowboys do Asfalto

Curiosidades da Semana

A maior câmera fotográfica está no Brasil

Designer brasileiro comanda equipe de profissionais responsáveis pelas adaptações e até mesmo desenho de novas versões, sempre em conjunto com o departamento de design da matriz da Mercedes-Benz



Lápis, papel na mão e uma idéia na cabeça. O que era apenas brincadeira de criança transformou o futuro profissional do brasileiro Emerson Boscariol. O desenhista está há 17 anos na Mercedes-Benz desenvolvendo produtos para o mercado sul-americano. Entre seus projetos brilham os modelos especiais de caminhões em comemoração aos 500 anos do Brasil, as versões especiais do 1934 e 1935 e a mais recente jóia da Mercedes-Benz lançada na Fenatran, o Black Edition, versão luxuosa para o Atego 2425 e o Axor 2644. O mercado globalizado e a concorrência cada vez mais acentuada têm feito com que a Mercedes-Benz busque novas formas de garantir a competitividade e qualidade de seus produtos. Sem abrir mão da qualidade, mas investindo na política de redução de custo, a equipe brasileira de técnicos, designers e engenheiros da montadora transforma caminhões básicos em verdadeiras obras de arte. Tudo isso sob o comando do designer Emerson Boscariol. É ele quem coordena as idéias dos 20 profissionais e as esboça no papel. “Parece fácil?? mas não é!”, brinca. O tempo de confecção de um novo caminhão ou até mesmo de um produto já existente para uma nova versão leva em média de 2 a 3 anos. Bastante? Não para Boscariol . “No caso do projeto Black Edition, por tratar-se de uma versão personalizada dos caminhões Axor e Atego, o tempo de produção foi curto. Começamos a desenvolve-lo no final de 2004 e os modelos ficaram prontos emoutubro deste ano”. O desenhista explica que além das etapas de pesquisa e do processo de industrialização das peças, são realizadas provas de intemperismo, ou seja, testes que avaliam a resistência da pintura, das partes plásticas e dos revestimentos da cabina e testes estatísticos que simulam no veículo condições de uso do dia-a-dia, em ambientes cheios de buracos, lombadas, piso em pedra e cantos vivos.

Para dar vida a essas importantes ferramentas de trabalho, o desenhista precisa colocar no processo de concepção do novo caminhão doses certas do que o mercado, montadora e caminhoneiro precisam. Afinal, “de nada adianta muita tecnologia se o produto não cabe no bolso do cliente”. Antes de esboçar sua idéia no papel e até para buscar a tão necessária inspiração, Boscariol visita feiras do setor, observa o que a concorrência trouxe de novo para o mercado, lê revistas de veículos e faz a troca de informações com os times de designers das unidades da Alemanha, Estados Unidos, Europa e Japão. Segundoele, matriz e filiais obedecem os mesmos parâmetros écnicos de produção européia e seguem à risca os padrões Mercedes-Benz, o que torna possível às unidades industriais exportar produtos para qualquer parte do mundo. “Em geral, o que é desenvolvido no Brasil é igual para Argentina e América do Sul. No caso do projeto Black Edition, apesar de o nome ser o mesmo do projeto desenvolvido na Alemanha, utilizamos produtos- base diferentes. Aqui foram os caminhões Atego e Axor e lá o Actross”. Quando questionado sobre a quantidade de projetos que já desenvolveu, Boscariol é rápido. “Teoricamente um por ano”. Pra quem entrou na montadora como aprendiz, em 1988, e foi aluno do centro de Formação Profissional Senai - Mercedes-Benz, o desenhista voou longe. Seu conselho para os jovens que querem seguir o caminho que ele percorreu é “acreditar nos sonhos, lutar por eles e atualizar-se sempre. Só assim as boas idéias surgem”

JOVENS APRENDIZES

Com o crescimento da industrialização na região do ABC Paulista, na década de 60, a Mercedes-Benz junto com o SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - fundou no ano de 1957, a “Escola de aprendizes de ofício”, na unidade de São Bernardo do Campo. A escola ensinava a jovens aprendizes as profissões de soldador, montador, torneiro e fresador. Naquele tempo, o Senai era responsável pela contratação de professores, acompanhamento pedagógico e certificação dos alunos, cabendo a Mercedes-Benz contratar os instrutores e oferecer infra-estrutura necessária para realização das aulas.

Alguns anos depois, por volta de 1974, a unidade passou a integrar também as atividades da área de treinamento de pessoal da Diretoria de Recursos umanos da montadora, com a criação de um modelo integrado de treinamento e desenvolvimento de pessoal, composto por formação profissional, treinamento técnico e administrativo, desenvolvimento gerencial e oordenação de estágios. Ainda na década de 70, foram adquiridas as primeiras máquinas para as aulas da oficina de Aprendizagem Industrial, bem como a transferência de toda a área de treinamento para um prédio próximo à fábrica de São Bernardo do Campo.

Entretanto, somente em 80 é que o programa de jovens aprendizes ganhou novas dimensões. Afinal acontecia, nesse período, uma grande transformação no processo de fabricação. Novas tecnologias como a hidráulica, pneumática, comando numérico e eletrônica, passaram a fazer parte do cotidiano dos profissionais da indústria brasileira. Em 1982, a fábrica passou a contar então com um dos mais modernos Centros de Formação e Qualificação de pessoal, ganhando novos cursos com o decorrer dos anos. Atualmente, o Centro de Formação Profissional Senai – Mercedes-Benz, como agora é chamado, ocupa uma área de 4.000 m2, incluindo três laboratórios, 24 salas de aula e uma oficina com 200 postos de trabalho. Alguns cursos como os de aprendizagem industrial e técnico em mecânica de produção veicular, são oferecidos aos irmãos, filhos e netos de colaboradores, com idades entre 15 e 16 anos. Em geral os cursos têm duração de três anos, sendo dois anos e seis meses destinados a formação específica de aprendiz e os últimos seis meses para estágio prático nas áreas produtivas da empresa. A parceria Senai - Mercedes-Benz que já dura 48 anos, treinou mais de 4.300 profissionais. Desse total, 30% continuam trabalhando na DaimlerChrysler do Brasil e 10% dos executivos que atuam na montadora Já foram aprendizes.

Fonte: Revista Rede Assobens Magazine

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