CLIMA AGRADAVEL, LUA CHEIA E CEU ESTRELADO, TUDO PARA RECEBER ESTE MAGNIFICO MAESTRO ITALIANO ENNIO MORRICONE.
A COWBOYS DO ASFALTO ESTAVA PRESENTE PARA PRESENCIAR ESTE MOMENTO HISTORICO.
Esta foi a primeira visita de Ennio Morricone ao Brasil. Também foi seu primeiro concerto fora da Itália depois do Oscar concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas pelo conjunto da obra. Foi um agrado que não acertou as contas de Hollywood com o maestro, que poderia ter vencido em 1986 com AMissão, em 1984 com Era Uma Vez Na América e 1988 com Cinema Paradiso (anos em que não chegou a ser indicado).
Ennio Morricone ( Nascido em Roma em 10-novembro de 1928) não só é o maio r compositor de trilhas sonoras da História do Cinema, como pode ser facilmente considerado o mais criativo. Aos 78 anos de idade, o maestro continua a todo vapor, produzindo música para séries televisivas, especiais e, claro, filmes. Atualmente ele finaliza a trilha da seqüência de Os Intocáveis, Capone Rising, novamente com Brian De Palma na direção.
Quando a Orquestra Sinfônica da Petrobrás subiu ao palco, acompanhada por um coro de noventa pessoas, ficou claro que o concerto que abriu o 1º Música Em Cena - Encontro Internacional de Música de Cinema organizado pela Cinnamon ,da Lia Vissotto , com a SM comunicaçao- seria tão grandioso quanto a obra de Morricone.
Ele sempre foi um inventor, um inovador, e sua associação com Sérgio Leone, o sujeito que criou o que se chamou por western spaghetti, é comparada com outros "pares", como Fellini/Rota, Eisenstein/Prokofiev e Hitchcock/Hermann, diretores e compositores que consolidaram o cinema como arte audiovisual ao longo das décadas de 30, 40, 50 e 60, transformando-o para sempre.
Morricone é o mais versátil compositor de trilhas sonoras de todos os tempos, justamente pela sua capacidade de associar elementos tão distintos da música popular aos rígidos padrões da música erudita. Nascido em Roma, o jovem Ennio se formou no Conservatório de Santa Cecília, completamente encantado pelo jazz americano, tanto que seu instrumento original foi o trumpete. 
Quando criou o score para A Fistful of Dollars (Per Um Pugno Di Dollari - 1964), empreendeu uma pequena revolução ao inserir instrumentos dissonantes e enlouquecidos, como gaitas judias, metais desafinados, baixo, bateria e guitarra elétricos, que, por um motivo estranho acabaram influenciando um gênero tão inesperado como a surf music.
A partir daí, Morricone seria associado à imagem dos filmes de cowboy filmados em Cinecittá (iTALIA), ao longo das décadas de 60 e 70, dos mais "sérios", estrelados por Clint Eastwood aos mais debochados, como a série de comédias de Terence Hill e Bud Spencer (TRINITY). Mas Morricone não é apenas um sujeito com alma rock'n'roll numa figura de maestro.
Ele é um compositor que se vale de recursos distintos para musicar as mais de 400 películas que oscilam entre todos os gêneros, indo do terror (A Coisa), passando pelo drama político (A Batalha De Argel) e religioso (A Missão), chegando em pequenos ou grandes clássicos do cinema moderno, como Cinema Paradiso, Era Uma Vez Na América, Bugsy e O Bom, O Feio e o Mau, A Classe Operária Vai Ao Paraíso, Investigação Sobre Um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita, A Lenda Do Pianista Do Mar, entre tantos outros.
Em cinco generosos pout-pourris, Morricone regeu o coro e a orquestra, numa empreitada de 180 pessoas, homenageando o cinema enquanto experiência musical, algo inusitado mas totalmente justificado, afinal de contas, o maestro foi um dos que ajudaram a forjar essa associação. A inventividade se refletia no uso extensivo do baixo elétrico, da guitarra e violão, além de uma participação ativa de bateria e percussão, além de um teclado Roland. 
Se a trilha de Cinema Paradiso é capaz de emocionar tanto quanto o filme de Giuseppe Tornatore e o score de A Missão é tão grandioso quanto a saga dos jesuítas contada pelo filme de Roland Joffé, excertos de obras como Era Uma Vez No Oeste e Pecados Da Guerra apresentam todo o lado criativo do compositor.
O medley final, com trechos de Ricardo III, A Missão e Deserto dos Tártaros, confirmou a sensação de opulência das composições, executadas num ambiente tão afeito a composições eruditas. O semblante dos músicos traduzia a satisfação de tocar música inovadora, regidos pelo seu criador, algo absolutamente raro nos dias de hoje.
Morricone voltou cinco vezes ao palco para agradecer à salva de palmas que foi disparada em sua direção. Em três outros retornos, celebrado pela própria orquestra, que também pediu bis - com os arcos dos instrumentos de corda sendo balançados pelos músicos - Morricone ainda repetiu o medley dedicado aos faroestes e "Gabriel's Oboé", de A Missão.
Levemente surpreso e sutilmente feliz com a ovação que recebeu, o franzino maestro deixou o palco andando rápido, evitando seu nono bis, coroando uma apresentação absolutamente inesquecível e sem paralelos .
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